Suas águas eram estranhas.
Durante o dia refletiam o céu.
Durante a noite refletiam algo mais distante.
Alguns afirmavam que eram estrelas.
Outros, que eram lembranças.
Havia ainda os que diziam que o lago refletia aquilo que cada viajante carregava nas profundezas da alma.
Numa noite sem lua, a conhecida Imperatriz chegou à sua margem.
Governava um território invisível: o lugar onde pensamentos se transformam em palavras, sonhos em gestos e possibilidades em realidade.
Ao contemplar a água imóvel, percebeu que o lago não mostrava seu rosto.
Mostrava perguntas. esquecidas, às vezes evitadas.
